voltar para outros artigos

A lição do professor

Mandando Bem 4 de julho de 2017

Gerson Luiz Stella nasceu em Curitiba, a bela capital paranaense. Descendente de italianos, tanto do lado materno quanto paterno, foi criado e vive até hoje no bairro Água Verde que, juntamente com o de Santa Felicidade, é obra dos imigrantes chegados da Itália no século XIX e de seus descendentes.

Em sua infância foi como se vivesse “em uma colônia, todos se conheciam, se ajudavam e se divertiam”. Desses tempos, recorda da paixão pelo futebol e dos encontros de toda a comunidade na frente da Igreja aos domingos após a missa, “a religiosidade era uma marca muito forte entre nós, essencial”.

Nos fins de semana em Santa Felicidade, na casa da nonna ou de uma tia e madrinha, se encontrava com os primos que por lá moravam e se divertiam a valer. Quando jovem, os convívios se davam na Sociedade Operária onde “tinha uma cancha de boccia, um jogo vindo da Itália, e bailes no salão social.”

As responsabilidades não o fizeram esperar, aos quinze anos estudava e trabalhava. Nessa época, foi diagnosticado com uma úlcera digestiva, se desse ouvidos ao médico teria interrompido as duas atividades, mas foi necessário continuar o trabalho e adiar os estudos.

Em 1977, começou a trabalhar na Companhia de Telecomunicações do Paraná (Telepar). Ali, esteve ligado aos serviços de rede telefônica trabalhando sempre internamente. Recorda que Curitiba era dividida em três centrais: Centro, Cristo Rei e Água Verde. “Trabalhei nesta última e chegamos a ter, em determinada ocasião, mais de mil e quinhentos pedidos ou solicitações de serviços pendentes. Com muito trabalho, conseguimos zerar tudo em uma determinada semana”. Por esse trabalho, recebeu um cartão escrito de próprio punho pelo presidente da companhia com uma mensagem de reconhecimento.

Foi na Telepar que começou a desenvolver o gosto por ensinar. Em certa ocasião, elaborou uma apostila para ministrar um treinamento para profissionais da companhia, que vinham do interior do estado em busca de aperfeiçoamento: “já naquele tempo, ficar diante de uma turma de alunos me agradava muito”. Dar aulas mostrava-se uma atividade natural e tranquila para ele: “passar conhecimentos e interagir com os alunos era fascinante para mim”, afirma.

“já naquele tempo, ficar diante de uma turma de alunos me agradava muito”.

Durante o tempo em que esteve a serviço da Telepar passou por um grande desafio, apresentou um quadro de apendicite e foi diagnosticado com a doença de Crohn. Daí seguiu-se uma série de batalhas, foram cinco cirurgias de grande porte nos intestinos e pelo menos sete incisões. No ano de 1985, durante o pós-operatório chegou “a apagar durante um tempo”, no entanto, reagiu e se recuperou.

Tempos depois conheceu a gastroenterologista Dra. Lorete Maria da Silva Kotze, ligada à Sociedade Brasileira de Medicina Psicossomática, e começou um tratamento clínico e psicológico, o que representou uma transformação em sua vida, pois passou a conseguir conviver com a doença. Desde 1986, não precisou mais operar os intestinos: “crises, tive inúmeras, porém aprendi a superá-las sem necessidade de cirurgia”, explica.

Mesmo enfrentando todo esse desafio, Gerson seguiu em frente em busca da realização. Em 1999, aposentado por invalidez permanente pelo INSS e recebendo uma aposentadoria complementar da Sistel, voltou a estudar. Incialmente, apenas pensava em completar o ensino médio, mas foi incentivado por uma professora e resolveu inscrever-se no vestibular da Universidade Federal do Paraná (UFPR) para o curso de letras Português-Italiano.

Deste momento especial recorda: “obtive a classificação 45ª e havia 40 vagas. Lembro que chorei muito lamentando o acontecido, porém levantei a cabeça e fiz matrícula na Pontifícia Universitária Católica (PUC) e comecei a estudar. Após mais de um mês, fui chamado e ingressei na UFPR feliz da vida.”

Depois de formado, montou uma sala de aula ao lado de sua casa. Ali, ensina o idioma italiano preparando pessoas que irão viajar para o exterior. Atua, também, ajudando quem precisa preparar processo para requerer dupla cidadania italiana ou a confeccionar sua árvore genealógica.

E não para por aí, ainda pretende ajudar a montar um Centro Cultural Italiano no Trieste Futebol Clube, com ajuda de amigas do Grupo Folclórico Giuseppe Garibaldi. Dessa forma, deseja contribuir para reforçar as referências históricas italianas nos bairros Água Verde e Santa Felicidade de sua querida Curitiba.




  1. JURANDYR FOLTRAN ex-CPD TELEPAR disse:

    Um belo exemplo de persistência e perseverança digno de registro. Parabéns Gerson.

    • Celeste Arrais disse:

      Olá Jurandyr,

      Agradecemos o seu contato.

      Nosso assistido Gerson é um vencedor e de um coração enorme que ama ajudar a pessoas e muito feliz em poder transmitir seus conhecimentos aos aprendizes.

      Grande abraço,

      Celeste Arrais

  2. Antonio Roberto Sinott Lopes disse:

    Massa! Em 1975, eu estive em Curitiba procurando uma oportunidade de trabalho na Telepar e na Copel. Não consegui, mas, de certa forma foi bom, pois, fui para a Bahia e consegui uma oportunidade na Telebahia. Me apaixonei por Salvador.
    Morei no Rio e me apaixonei também. Aproveitei para estudar e me formei em Pedagogia e Pos |Graduação em Pisicopedagogia. Hoje eu estou apaixonado por Fortaleza,

    • Celeste Arrais disse:

      Olá Antonio Roberto,

      Nosso país é de uma diversidade cultua enorme e cada estado tem suas particularidade que são apaixonantes mesmo.

      Parabéns!!!

      Abraços,
      Celeste