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A magia transformadora do cinema

Biblioteca Cultural 4 de abril de 2017

A sétima arte continua viva, encantando plateias em todo o mundo. Além das salas próprias para a liturgia do cinema, o avanço tecnológico das telinhas veio agregar novos espaço para essa forma de expressão artística, que já nasceu como síntese de diversas tecnologias.

Hollywood continua sendo a meca da produção cinematográfica, e o Oscar a sua cerimônia maior. Na edição de 2017, vários trabalhos despertaram a atenção de espectadores e especialistas em todo o planeta, entre eles, “Moonlight: sob a luz do luar” e “La La Land: Cantando Estações”.

Moonlight foi vencedor do Oscar nas categorias de melhor filme, melhor ator coadjuvante e de melhor roteiro adaptado. A produção é estrelada por Trevante Rhodes, André Holland, Janelle Monáe, Ashton Sanders, Jharrel Jerome, Naomie Harris e Mahershala Ali.

Kadu Silva, fundador do site Ccine10, explica: “o filme conta a trajetória da infância à vida adulta de Chiron (Trevante Rhodes, Alex R. Hibbert e Ashton Sanders), um garoto oprimido, nascido na periferia de Miami, negro, homossexual, sem uma base familiar bem formada e, além disso, sofria com constantes agressões na escola. Todo esse histórico em sua formação, acabou por moldar o homem Chiron”.

“(…) O diretor (Barry Jenkins) em seu estudo se torna o porta-voz dos excluídos e na figura de Chiron retrata a vida de muitos que acabam indo para certos caminhos apenas para se adaptar ao meio, ou mesmo por ter somente uma referência como espelho”. E, finaliza: “(…) Moonlight: Sob a Luz do Luar, infelizmente não é o típico filme para todos, até porque não se trata de um entretenimento e sim de uma obra para reflexão social (transformadora)”. Vale anotar que Caetano Veloso compôs uma música especialmente para a trilha original do filme.

Este ano, “La La Land: Cantando Estações” foi outra película que se destacou. O musical é dirigido e escrito por Damien Chazelle, e reúne um grande elenco estrelado por Ryan Gosling, Emma Stone, John Legend e Rosemarie DeWitt.

O filme recebeu os prêmios da Academia de Cinema nas categorias de melhor diretor, melhor atriz, trilha sonora, canção original, direção e fotografia.

O crítico do site Adorocinema, Renato Hermsdorff, adverte: “Depois dos dez minutos iniciais da sequência de abertura de La La Land – Cantando Estações, a vontade que dá, imediatamente, é de sair correndo da sala do cinema. O propósito se justifica pelo medo de que as quase duas horas de projeção que ainda restam não estejam à altura da genialidade do início do filme. Se quer uma dica: não sucumba”.

Ele explica que a personagem Mia, vivida por Emma Stone, é “atendente de uma cafeteria localizada no perímetro de um grande estúdio, aspirante a atriz que, apesar do talento”, não consegue ser aprovada nas audições.

“O caminho dela vai se cruzar com o de Sebastian (Ryan Gosling), um pianista igualmente hábil, tal qual malsucedido, que sonha em perpetuar o jazz (…). O roteiro do filme puxa pela mão esses dois arquétipos e os joga na pista de dança que tem Hollywood como cenário. Ao mesmo tempo em que o colorido da fotografia e do figurino possam passar a impressão de que a história se passa nos anos 1950/ 1960, os carros e celulares lembram que é hoje que Stone e Gosling estão dançando na sua frente. Mais do que uma homenagem (há várias) à ‘Era de Ouro’ dos musicais, a nostalgia é apenas trampolim. E o que o realizador faz é revigorar o gênero”.

É possível entender, com apenas dois exemplos, como a magia do cinema pode ser transformadora na vida das pessoas, abrindo novas perspectivas e renovando antigas emoções. Por isso, não perca a próxima seção!