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Como aliviar a tensão no trabalho

Bem-estar & Saúde 1 de setembro de 2015

Para que o estresse não afete seu corpo, saiba como se livrar da pressão do dia a dia.

Trabalhar não tem sido uma tarefa prazerosa para boa parte dos brasileiros. Em meio às atribuições diárias que cada profissão exige, mais de 40% dos empregados afirmam sentirem-se estressados e ansiosos. E, acredite, isso não é normal, já que a média mundial está em 11%, segundo pesquisa da Robert Half, empresa de recrutamento brasileira. Porém esse sentimento de desconforto é muito particular e varia de acordo com o perfil e a responsabilidade de cada profissional. “Devemos considerar a posição, o cargo, a tarefa, a profissão e os recursos disponíveis, assim como o apoio e conhecimento da pessoa para executar a tarefa”, pontua Diogo Lara, psiquiatra e neurocientista (RS). Além disso, a personalidade está em jogo. “O estresse pode ser proporcional ou não às capacidades de enfrentamento de cada um. Quando é proporcional, é prazeroso, divertido, desafiador. Quando muito aquém ou além dos limites, passa a causar sofrimento, angústia e desgaste”, explica o psiquiatra Sander Fridman (RJ). E nesses casos surgem as doenças físicas e psicológicas relacionadas ao trabalho.

A fonte do problema

Três pilares seriam a causa de toda essa tensão. De acordo com a pesquisa realizada pela Robert Half, para 52% dos trabalhadores o problema é o excesso de tarefas, já 44% apontam a falta de reconhecimento profissional, enquanto 38% elegem as pressões econômicas. Mas Diogo Lara reforça a individualidade de cada empregado. “A pressão por resultado pode gerar motivação em uma pessoa e cobrança em outra”, pontua.

Cargo elevado, dor de cabeça

Se você sonha com um cargo de gerência, prepare-se para arcar com tudo o que ele engloba. “É um posto que carrega dupla impotência, ou seja, tem as ordens e as metas, para as quais poderão participar pouco, sofrendo determinações que provêm da diretoria e da presidência, além da necessidade de contar com terceiros para sua execução, cuja motivação pode depender de circunstâncias institucionais sobre as quais o gerente não poderá interferir”, diz Fridman. Tudo isso, sem contar o excesso de trabalho que desequilibra a vida profissional e familiar.

Quem sofre mais

Quanto ao impacto do estresse, entre eles e elas não há uma defi nição unânime. “Os homens,no Brasil, morrem em média sete anos antes do que as mulheres. Parte das razões para isso pode ser atribuída ao estresse no trabalho e a seus efeitos sobre a saúde vascular, além de suas repercussões. Principalmente sobre o coração e o cérebro”, aponta Fridman. Já entre as mulheres existe o acúmulo de funções. “Se pensarmos que além da carreira elas têm de cuidar da casa, dos filhos, da beleza, do lazer, elas tendem a se estressar mais.”Dividir o problema com um colega de trabalho, aquela pessoa empática, que não necessariamente precisa estar na mesma posição que a sua, pode ser uma boa alternativa, segundo especialistas. “Pode ser o chefe, o médico do trabalho, o psicólogo organizacional”, diz Fridman. “Mas, quando o colaborador se sentir em um campo minado, é horade procurar um psiquiatra com experiência no atendimento de pessoas com conflitos relacionadosao trabalho, para um tratamento psicoterápico ou até medicamentoso.”

Como a saúde responde

A consequência de todo excesso de trabalho e cobraça é um quadro de patologias que afetam a saúde física e psicológica.Entre as principais queixas estão: gastrite ou úlcera, pressão alta, dores musculares e nasarticulações, insônia, ataques de pânico, depressãoe ansiedade.O psiquiatra Leonard F. Verea (SP) ressalta que a depressão, nesse caso, pode ser identificada até em pessoas que não tenham histórico de problemas psiquiátricos na família.

“Em 45% dos novos casos de depressão e ansiedade entre os profissionais mais jovensa causa era o estresse. Pesquisas revelam que 14% das mulheres e 10% dos homens registraram o primeiro episódio de depressão ou ansiedade aos 32 anos de idade, faixa etária considerada o ‘auge’ da carreira.” Tudo isso, segundo o psiquiatra, resulta na chamada síndrome do esgotamento profissional ou síndrome de burnout em que há estresse crônico e estado de tensão emocional. O diagnóstico é encontrado principalmente em profissionais que lidam com pessoas e prazos apertados.

O melhor é trabalhar em equipe

O estresse é um fato normal da vida. Sem ele na dose certa uma ocupação pode até se tornar tediosa. Por isso adote atitudes que lhe garantam equilíbrio. A mesma pesquisa que aponta os motivos do desconforto expõe algumas tentativas de mudanças. Segundo os próprios funcionários entrevistados, 60% acreditam que executar uma tarefa em equipe seria uma ótima solução, já 51% defendem a reestruturação das funções. Se a situação não for superada, a saída é buscar uma nova posição que lhe garanta mais saúde.

Fonte: Revista Saúde UOL