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É possível gastar menos e ter mais qualidade de vida?

Minhas Finanças 1 de abril de 2016

Embora especialistas no idioma oriental contestem, já é de domínio público que o ideograma chinês para a palavra crise também representa oportunidade. Enxergar na dificuldade um espaço para a renovação parece constituir para muitos um adequado caminho de superação.

Aplicando o conceito aos dias atuais é possível se perguntar: a fase difícil da economia propicia uma mudança de comportamento que oferece às pessoas uma oportunidade de viver melhor com menos?

Desde a década de 1970 um conceito tem se espalhado pelo o mundo, é o decrescimento sustentável. Os teóricos dessa proposta defendem que todo o desenvolvimento das sociedades modernas está baseado na destruição dos recursos naturais. Afirmam que só é possível atingir o padrão de vida dos países ricos consumindo cada vez mais. Aí, surge o dilema insanável: os recursos que permitem o crescimento são limitados, consumir também significa destruir o equilíbrio ecológico da Terra.

Bruno Clémentin e Vincent Cheynet explicam na revista Eco 21: “Não é preciso ser economista para perceber que um indivíduo, ou uma coletividade, que retira a maior parte dos seus recursos do seu capital, e não dos seus rendimentos, destina-se à falência. Tal é, no entanto, o caso das sociedades ocidentais, porque elas esgotam os recursos naturais do Planeta, um patrimônio comum, sem levar em conta o tempo necessário para a sua renovação”.

Quando é preciso apertar o cinto em razão do cenário econômico pode ser também a chance para aprender a consumir menos. Para chegar lá, no decrescimento sustentável, talvez um bom primeiro passo seja mapear os próprios recursos e passar a viver rigorosamente dentro desses limites.

Agindo assim, além de evitar as dívidas, será possível começar a contribuir com o equilíbrio ecológico, por exemplo: racionalizando o uso do carro, o consumo de combustível de origem fóssil estará diminuindo, assim como o impacto causado pela cadeia produtiva da indústria petrolífera. E, nesse caso, quando houver a substituição do uso do automóvel pela caminhada ou pela bicicleta haverá, por acréscimo, benefícios para a saúde.

O consumo excessivo de carne vermelha é outro exemplo de desperdício de recursos da natureza, pois são necessários 15.400 litros de água para produzir um quilo de carne bovina. Então, quando novos hábitos alimentares são adotados torna-se possível substituir a quantidade pela qualidade.

Pensando em formas de consumir menos, é possível encontrar maneiras de poupar recursos financeiros e naturais, ao mesmo tempo em que aproveita a vida com maior intensidade.