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Mesada: ela realmente funciona?

Minhas Finanças 2 de outubro de 2015

Os psicólogos parecem concordar que, quanto antes uma criança tiver contato com dinheiro, melhor será a sua relação com ele no futuro. Por isso, receber mesada é visto como algo saudável na educação financeira, já que assim é forçada a tomar decisões quanto ao uso do seu dinheiro.

Trata-se de uma experiência positiva não apenas para os filhos, mas para toda a família. Do ponto de vista dos pais, além de entenderem melhor os hábitos de consumo e a capacidade de tomada de decisão das crianças, conseguem melhorar a sua própria relação com o dinheiro. Afinal, este é o principal objetivo da educação financeira!

Em geral, recomenda-se que todas as crianças com mais de sete anos recebam algum tipo de “semanada” ou “mesada”. Mas esse é um processo que deve ser conduzido de uma forma natural, já que cada criança tem seu ritmo e é preciso respeitá-lo, para não causar traumas.

Não associe o pagamento da mesada às atividades pelas quais seu filho é responsável em casa. Ele deve realizar tais tarefas porque isso faz parte das responsabilidades da família e cabe a ele contribuir. Justamente por isso, não deve se sentir “remunerado”.

Por outro lado, à medida que a criança cresce e se transforma em adolescente, aí sim você pode considerar a remuneração de algumas atividades específicas pelas quais já contrata alguma pessoa para fazer. Neste caso, o pagamento pela tarefa simplesmente evidencia a relação entre dinheiro e trabalho.

Lembre-se que estamos falando de educação financeira. Por isso, não basta entregar o dinheiro ao seu filho e ponto final. É preciso orientá-lo!

Para as crianças, convém que os pais ajudem nas contas, de forma que consigam ter uma ideia mais clara de quanto podem gastar por dia. Além disso, vale a pena introduzir o hábito de pesquisar preços, o que acaba ajudando na definição do conceito de caro e barato. Neste sentido, os sites de venda on-line podem facilitar a tarefa.

Já no caso dos pré-adolescentes e jovens, ainda que seja sua obrigação orientar seu filho sobre o uso correto do dinheiro e ajudá-lo na avaliação das oportunidades existentes, você deve deixá-lo tomar a decisão final sobre o que fazer com o valor da mesada.

Estimule a criança a poupar parte da sua mesada. Para tanto, comece introduzindo a noção de objetivos de curto e longo prazo. Esta tarefa pode ser mais divertida se vocês trabalharem juntos: pegue duas folhas de papel e peça para seu filho desenhar em cada uma delas o seu objetivo de curto e o de longo prazo. Use estes desenhos para encapar duas latas de refrigerante. Com isso, tem dois cofres: para o curto e o longo prazo.

Ajude-o a calcular quanto será preciso poupar para alcançar os dois objetivos. Se você perceber que o seu filho tem dificuldade em poupar parte da mesada, incentive-o a, ao menos, evitar gastar tudo por alguns dias.

Se a criança gastar todo o dinheiro antes do final da semana (ou mês) e pedir para que você dê mais, seja firme e diga não. Lembre-se que você está ensinando o seu filho a planejar seus próprios gastos. Se você abrir uma exceção, acaba passando a mensagem errada para a criança: de que ela pode gastar, pois sempre haverá mais.

Não importa qual seja seu padrão de renda, esta não é uma mensagem positiva a se passar. Aprender a controlar gastos é bastante saudável. Quanto antes seu filho entender este conceito, menores serão suas dificuldades para lidar com dinheiro quando for adulto.

Fonte: Infomoney