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Onde está o maior São João do mundo?

Embarque Nessa 1 de junho de 2016

As festas juninas fazem parte da memória emocional de todos os brasileiros. As músicas tradicionais, as danças e as comidas típicas têm feito a alegria das famílias por sucessivas gerações.

A origem dessas festividades está na Europa pagã, nessa época acontecia uma cerimônia dedicada à fertilidade da terra por ocasião do solstício de verão no hemisfério norte, no dia 24 de junho do calendário Juliano.

Naquele tempo eram denominadas de festas junônias, pois eram dedicadas a Juno esposa de Júpiter. Com a cristianização da Europa, durante a Idade Média, houve a associação dessa comemoração do paganismo com o nascimento de São João Batista e, posteriormente, com os dias dedicados  a São Pedro e São Paulo e, posteriormente, a Santo Antônio.

No período colonial, as festas trazidas ao Brasil pelos portugueses assimilaram as cerimônias dos povos indígenas, que também em junho realizavam rituais de celebração aos alimentos. Daí, explicar-se a presença dos pratos típicos à base de milho e mandioca nos festejos juninos. A influência francesa se observa pela adoção das danças marcadas, as quadrilhas. A China também se faz presente com os fogos de artifício.

Se em todo o país essa tradição alegra e empolga, no Nordeste é uma das principais manifestações da cultura popular em razão da especial devoção do povo a São João e a São Pedro.

Atualmente, as festas juninas movimentam fortemente o turismo nos nove estados nordestinos. Dentre as mais tradicionais destacam-se as que são realizadas em Caruaru (Pernambuco) e Campina Grande (Paraíba), ambas disputam permanentemente o título de Maior São João do Mundo.

Na revista História Viva, a pesquisadora Nadja Carvalho apresenta o perfil da festa nas duas cidades.

Campina Grande, a maior do mundo

A maior cidade do interior da Paraíba festeja o São João mais aloprado do mundo desde 1983 e disputa com Caruaru, em Pernambuco, o título de maior festa do gênero. As duas cidades gostam de mexer uma com a outra: qual das duas é a maior? Qual é a melhor? Quem deixa o brincante mais coió (cansado) com o forró pé de serra?

Luiz Gonzaga largou no teclado da sanfona: “Lá no meu sertão pros caboclo lê têm que aprender outro ABC”. Os versos fazem alusão ao linguajar nordestino. O “paraibanês” mantém a sua língua afiada nas tradições. Por isso o povo de Campina Grande diz: o São João daqui é aloprado, arretado e arrochado, que só vendo pra crer.

Os festejos juninos duram os exatos 30 dias de junho. As quadrilhas e o casamento matuto são responsáveis por um espetáculo colorido de ritmo animado, cheio de coreografias que fazem rodopiar os babados dos vestidos.

É regra o noivo chegar amuado (chateado), querer bota boneco (discutir) e tentar fugir, mas o pai da noiva promete um bufete, uma cipoada (murro, pancada forte), e o padre apressa o casório. A noiva costuma esconder a gravidez, sua mãe tem uma bilôla (sentir-se mal) e é amparada por uma marmota (pessoa desajeitada).

As 150 barracas formam um vilarejo. O pátio cenográfico reproduz uma pequena cidade de interior: igrejinha, casa de barro, bodega e cachaçaria. No interior da casa, o rádio na sala, a colcha de fuxico sobre a cama, alguns santos e retratos de família pendurados na parede. Os visitantes podem olhar de perto os objetos, ouvir o estalo da lenha no forno e sentir o cheiro do milho assando.

Agora, aumenta o pitoco (volume do som) pra ouvir o forró Sebastiana, composto em 1953 por Rosil Cavalcanti, que se tornou o primeiro grande sucesso de Jackson do Pandeiro:

Convidei a comadre Sebastiana

Pra dançar e xaxar na Paraíba

Ela veio com uma dança diferente

E pulava que só uma guariba

E gritava: a, e, i, o, u ipsilone.

Nessa pisada, o xén én én de Campina Grande vai até de madrugada.

 

Caruaru, a Capital do forró

Caruaru está situada a 135 km de Recife, Pernambuco. O seu São João, na versão atual, acontece desde 1994. No Pátio Luiz Gonzaga é instalada a Vila do Forró, uma área cenográfica de 1.500 m² que abriga um arruado com casas coloridas, posto bancário, posto dos correios, prefeitura, igrejinha e mercearia. Personagens caricatos moram em casas espalhadas pelo vilarejo, como a da rainha do milho, a da rezadeira, a da parteira e a da rendeira.

Na Vila do Forró os atores encenam o cotidiano da região com humor. Oxente! Surgem o padre e as beatas, a parteira, o soldado de polícia, o prefeito, o poeta. Coronel Ludugero e sua amada Filomena passeiam entre as pessoas. O tiro do bacamarte não pode faltar. Referência a grupos de atiradores que serviram na Guerra do Paraguai, as exibições acontecem desde o final do século XIX.

A bandinha de pífano é outra importante atração, imortalizada na obra do ceramista Mestre Vitalino. Pode-se visitar sua casa no Alto do Moura para comprar, ou apenas apreciar, réplicas de seus bonecos de barro. Nesse morro acontece um #furdunço#, os jovens organizam arrasta-pé com caixa de som, misturados a trios pé de serra ao vivo. Há várias opções de comida típica e cachaçarias.

A Terra dos Avelozes costuma promover atrações gigantescas. Bebidas e comidas enormes são servidas na festança: maior quentão; maior pipoca; maior pamonha; maior cuscuz; bolo de milho gigante; maior pé de moleque; maior arroz-doce; canjica gigante; maior xerém e o tradicional cozido gigante.

Em 1989, surgiram as drilhas, resultado da mistura entre quadrilha e trio elétrico de Salvador. (…) É um tipo de forró no pé, como dizem seus brincantes, que comanda o trio na avenida.

Há ainda a maior fogueira de São João, feita com madeira ecológica, que é acesa no dia 28 de junho, em frente à igreja do Convento. Desse jeito, é de arrebentar a boca do balão!

Jamais saberemos qual cidade realiza a maior festa, mas uma coisa é certa o Maior São João do Mundo está no Nordeste do Brasil!

Para programar a sua viagem para as festas juninas no Nordeste acesse o Clube Sistel www.clubesistel.com.br e conte com o apoio da Bancorbrás Turismo.




  1. Jose Marinaldo Lula Leite disse:

    Na qualidade de nordestino, natural de São João do Cariri, cidade próxima de Campina Grande-PB já presenciei a festa de Campina Grande-PB e a de Caruaru-PE. Qual a melhor? Não sei explicar.
    Quem for a Caruaru ficará encantado. Quem for a Campina Grande
    esquecerá de Caruaru. Eu não disse, que não sei explicar…

    • Celeste Arrais disse:

      Olá Marinaldo,

      Festa é sempre bom,né? Não importa a cidade, o gostoso mesmo é aproveitar o momento, que é passageiro, e curtir cada minuto.

      Abraços,

      Celeste Arrais