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Outubro Rosa: informação e solidariedade pela vida

Bem-estar & Saúde 16 de outubro de 2017

Outubro Rosa é um movimento mundial de luta contra o câncer de mama que teve origem, em 1997, nos Estados Unidos. No entanto, o famoso laço rosa, símbolo da campanha, foi usado pela primeira vez quando a Fundação Susan G. Komen promoveu, em 1990, uma corrida feminina de rua com o objetivo de chamar atenção para a necessidade de serem adotadas atitudes de prevenção à doença.

No Brasil, o marco pioneiro foi registrado em 2002, quando o Mausoléu do Soldado Constitucionalista, na cidade de São Paulo, foi iluminado com a cor rosa, reproduzindo o que já acontecia em várias cidades pelo mundo.

Para saber mais sobre o câncer de mama, conversamos com o ginecologista e obstetra, Dr. Rodrigo Alves Ferreira, chefe da divisão médica do Hospital Universitário e professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de São Carlos.

O câncer de mama é o que mais atinge a população feminina no Brasil?

Excluindo-se o câncer de pele (não-melanoma), o câncer de mama é o que mais atinge a população feminina no Brasil. A estimativa do INCA (Instituto Nacional do Câncer) é que haverá 57.960 casos novos por ano e cerca de 14.500 mortes. Importante sempre lembrar que o câncer de mama também acomete homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença.

Quais são as principais sequelas deixadas pelo câncer de mama?

Existem as sequelas físicas relacionadas às cirurgias: cicatrizes; eventual retirada total da mama, chamada mastectomia total (porém, neste caso já é possível a correção plástica através da colocação de implantes); inchaço do membro superior do lado da mama acometida, devido a retirada dos linfonodos axilares; há ainda as consequências psicológicas relativas à doença e às consequências dos tratamentos.

O que é possível fazer para prevenir o aparecimento da doença?

Atualmente, não existe a possibilidade de se prevenir totalmente o aparecimento do câncer de mama; entretanto, diversos estudos científicos já demonstraram que a nutrição saudável, o controle da obesidade, a prática de atividades físicas e evitar o consumo de bebidas alcoólicas reduzem o risco.

A amamentação e ter um bebê antes dos 30 anos de idade também se relacionam com a redução do risco. A recomendação no Brasil, atualizada em 2015, é que mulheres entre 50 e 69 anos façam uma mamografia a cada dois anos, prática adotada em diversos outros países.

Quais são os benefícios da detecção?

A detecção precoce favorece a obtenção da cura pois aumenta os resultados positivos dos tratamentos presentes. Além do autoexame das mamas, prática que deve ser realizada periodicamente pela paciente, a mamografia é o exame utilizado para o rastreamento do câncer de mama. Mulheres consideradas de alto risco são aquelas que tem histórico de câncer de mama e ovário em familiares consanguíneos além de histórico de câncer de mama em homem.

Quais são as principais formas de tratamento?

Os tratamentos são: cirurgia, quimioterapia, radioterapia e hormonioterapia.

Existe suporte da rede pública para prevenir, detectar e tratar?

Todos os tratamentos para câncer de mama estão disponibilizados pelo SUS.

Qual é a efetividade da campanha Outubro Rosa em sua opinião?

O grande benefício dessa campanha é manter viva a lembrança da necessidade de se cuidar e de realizar exames periódicos com o ginecologista.

Vale a pena lembrar, a cura do câncer de mama pode chegar a 95% dos casos, se diagnosticado precocemente, por isso é tão importante propagar esta onda rosa de informação e solidariedade.