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Pessoas da terceira idade precisam de educação financeira?

Minhas Finanças 16 de outubro de 2017

A preocupação com a educação financeira é cada vez maior em nossa sociedade, até mesmo os currículos escolares do ensino fundamental já incluem o tema como disciplina em muitas escolas. Agora, será que as pessoas da terceira idade também precisam continuar a educarem-se nessas questões?

A pesquisadora Caroline Stumpf Buaes acha que sim. Ela é psicóloga, doutora em educação e integra o grupo de pesquisa “Propensão ao endividamento de pessoas idosas: um estudo sobre fatores de risco no Rio Grande Sul”, que está sendo realizada na UFRGS. Caroline explica que já foram entrevistados mais de 400 idosos em diferentes cidades do estado, o objetivo é analisar as razões que podem levar pessoas idosas ao endividamento considerando fatores psicológicos, sociais e culturais. Os resultados possibilitarão elaborar fundamentos para medidas educativas e jurídicas de proteção ao idoso.

A pesquisadora falando ao Perfil Sistel relata o que já se sabe sobre o tema e deixa dicas valiosas.

É possível afirmar que as pessoas da terceira idade são mais cuidadosas com as finanças?

Os idosos se mostram cuidadosos com sua vida financeira, contudo essa caraterística não os protege de situações de endividamento e exploração financeira.

O que contribui para o descontrole financeiro na terceira idade?

Nosso estudo com idosos mostra que renda baixa, uso de cartão de crédito, opção por comprar a prazo e contrato de crédito consignado são fatores significativos para predispor as pessoas a viverem uma situação de endividamento.

Como é possível perceber que o idoso está com problemas financeiros?

Raramente as pessoas idosas relatam alguma dificuldade financeira mais séria. Percebemos que, de modo geral, há um constrangimento em falar da vida financeira, sobretudo quando as dificuldades são decorrentes de uma situação de ajuda a parentes mais próximos, como filhos e netos.

Por que o empréstimo consignado tem causado problemas para os idosos?

Os idosos que vivem situação de endividamento geralmente possuem mais de um crédito consignado. Muitas vezes, o crédito é contratado para ajudar filhos e netos que vivem dificuldades decorrentes de divórcios, acidentes, desemprego ou, ainda, que desejam adquirir bens. Isso é agravado quando se deparam com situações em que são explorados.

Os idosos também precisam de educação financeira?

Sim. As intervenções educativas devem possibilitar reflexões mais abrangentes em relação ao significado do dinheiro nas relações sociais e a compreensão dos mecanismos que os impulsionam a consumir. As ações devem ter como objetivo capacitar os idosos para atuarem como protagonistas no mundo atual, marcado por relações complexas de consumo.

Quais são as principais orientações para que as pessoas da terceira idade consigam gerir bem a vida financeira?

  1. Ter consciência de que existe um apelo externo que incentiva as pessoas para o consumo liderado pela publicidade.
  2. Elaborar um orçamento para saber quanto gasta mensalmente e, assim, poder planejar o consumo.
  3. Avaliar as prioridades de consumo e procurar comprar à vista.
  4. Lembrar que um bom planejamento prepara para cobrir gastos extras e inesperados.
  5. Compreender o funcionamento do crédito consignado para decidir se vale a pena contratá-lo. Perguntar-se: a prestação cabe no orçamento? Realmente preciso do dinheiro? Consigo permanecer com a renda reduzida pelo tempo do crédito?
  6. Ter muito cuidado ao contratar um crédito para outra pessoa. É muito comum, inclusive entre familiares, que isso se torne fonte de conflitos, e em alguns casos, até mesmo exploração financeira.

Com o aumento da expectativa de vida é preciso garantir os recursos financeiros necessários para muito mais anos, daí a relevância de continuar o aperfeiçoamento da educação financeira na terceira idade.




  1. João deJesus de Oliveira disse:

    A situação financeira do assistido estaria melhor se a sistel pagasse o que e de direito do aposentado Superavit

    • Jaqueline disse:

      Olá João! Bom-dia!

      Compreendemos o seu posicionamento, mas como já informamos, o valor que seria pago de Superávit foi equacionado para o PAMA para que os usuários do plano de saúde pudessem continuar sendo atendidos.

      Atenciosamente,
      Jaqueline Lima

  2. JOSÉ CARLOS BRUNO disse:

    COMO CONTADOR, SEMPRE TIVE EM MINHA CASA, UM LIVRO CAIXA, E APRENDI QUE O PLANEJAMENTO DEVE SER FEITO ENCIMA DA RECEITA MENSAL, MENOS AS DESPESAS FIXAS O SALDO DISPONÍVEL DEVE SER O VALOR MAXIMO A SER UTILIZADO NO MÊS.
    REGRINHA BASICA :” SE TEM COMPRA, SE NÃO TEM NÃO COMPRA”, NÃO UTILIZAR CARTÃO DE CREDITO, TENTAR FAZER UMA POUPANÇA PARA VIAGEM, TROCA DE CARRO,ETC.

  3. José de franca filho disse:

    Parabéns, muito importante essas orientações financeiras para manter o orçamento e gastos equilibrados para não trazer problemas financeiros, endividamentos. Gostei.

  4. José de franca filho disse:

    Orientações importante para o controle financeiro do idoso.