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Uma vida de amor aos estudos

Mandando Bem 15 de fevereiro de 2017

O nosso país passa por muitas transformações buscando enquadrar-se de maneira mais favorável no mundo da economia globalizada. A crença de que a educação é uma das chaves que podem abrir as portas do desenvolvimento para o Brasil está disseminada.

Embora o Estado não consiga oferecer ensino público de qualidade, existem pessoas que, por seu amor aos estudos, se sobressaem tornando-se exemplos de esforço pessoal e de superação dos obstáculos para acessar o conhecimento.

Este é o caso do nosso Assistido, Edson Sousa Costa, nascido em 1945, na cidade do Rio de Janeiro. Foi criado na comunidade Vila Brasil, onde conheceu muitas dificuldades. Daqueles tempos, lembra: “já havia muita bandidagem, mas graças ao bom Deus segui minha vida de honestidade”.

Sempre alimentou um sonho que se transformou em projeto de vida, “estudar e ser um orgulho para minha família”. Fez o ensino fundamental na escola pública Rosa da Fonseca, localizada na Vila Militar.

A dedicação aos estudos não o afastou do bom convívio e das brincadeiras infantis, principalmente dos jogos de futebol com os amigos.

Não faltam lembranças daquela época, como o dia em que saiu da escola e, com o colega Wilsinho, começou “a jogar pedras nas mangueiras da Vila Militar”. O resultado não tardou, os dois foram apreendidos pela Polícia do Exército. No quartel sofreram a ameaça de serem entregues ao Juizado de Menores. Hoje, recorda a passagem com bom humor, “meu colega chorou e eu… quase”.

 

Uma vida de trabalho

Os pais amorosos e dedicados não possuíam meios financeiros para oferecer os estudos que desejavam para os filhos. Edson e um irmão não se abateram, resolveram entrar na Escola Técnica do Arsenal da Marinha, porque poderia abrir-lhes portas profissionais além de oferecer alimentação e certificado de reservista.

Ao concluir o curso de técnico em contabilidade fez uma prova, passou e foi integrado ao quadro da Companhia Telefônica Brasileira – CTB. Começou a trabalhar no turno da noite como auxiliar administrativo na área de faturamento, uma jornada que se estendia por quatorze horas diárias.

O esforço era grande e também a remuneração, “foi a época em que mais ganhei dinheiro na minha vida”. Relembra que ouvia a turma da manhã dizendo-lhe em tom de brincadeira, quando cruzavam-se na portaria da empresa: “aí, trabalhando tanto para comprar um caixão?”

Conciliando trabalho e estudos

Em certa etapa da carreira, quando a CTB já se transformara na Telerj, o chefe da seção o avisou: “Edson, você é um ótimo funcionário, mas só o poderei promover quando tiver curso superior”. Essas palavras funcionaram como decisivo incentivo para impulsioná-lo ao crescimento.

Conciliando a carga de trabalho com a retomada dos estudos, cursou administração de empresas e, em seguida, ciências econômicas.

Mais tarde, concretizou outra parte do seu sonho, atuar como professor. Edson avalia: “foi uma pedreira, porque eu tinha que sair diariamente numa correria para as Faculdades Simonsen. O sufoco era maior na época das provas, tinha que dispor do sábado e do domingo para corrigi-las”. A fim de dar conta de tantos compromissos costumava chegar na Telerj uma hora antes do início do expediente, assim conseguia preparar as aulas que ministrava no período da noite.

Mesmo com essa vida profissional dinâmica e sobrecarregada, não esqueceu de dar atenção à família. Casado com Heloisa Helena, tornou-se pai orgulhoso de três filhos e avô coruja de uma neta muito querida. Com uma ponta de orgulho destaca que, no curso de administração, foi professor do filho, de uma das filhas, do genro e da nora. Hoje, “todos estão bem encaminhados na vida”.

Aposentado, aproveita o dia a dia ao lado da esposa e, nos fins de semana, no convívio com toda a família reunida.

Aposentadoria

Quanto à aposentadoria, afirma que parece um sonho para as pessoas, mas pode se transformar em pesadelo “por diversos motivos, tais como, perda do poder aquisitivo, sensação de incapacidade e sedentarismo”. Lamenta pelos colegas aposentados após a privatização da Telerj e a reforma da previdência de 1996, pois perderam acesso ao plano de saúde.

Aliás, considera a Sistel muito importante para ele e sua mulher por duas razões, pelo fundo de previdência porque complementa o que recebe do INSS e pela assistência à saúde que é fundamental para uma vida saudável.

Não desistir

De sua trajetória, o professor Edson tirou uma lição que faz questão de compartilhar: “nunca desista de seus sonhos”. E do Evangelho extrai uma mensagem: “não vos conformeis com este mundo”.

Ele recomenda que cada pessoa estabeleça um objetivo na vida e o persiga até o fim, fazendo tudo bem feito como se estivesse trabalhando para o Criador.

Ao enfrentar dificuldades, sugere que as pessoas olhem para o espelho e digam para si mesmas: “não importa a situação econômica do Brasil ou do estado onde vivo, eu vou vencer. Deus vai na frente derrubando os obstáculos. Amém!”

 

 




  1. alba regina disse:

    Excelente e incentivado depoimento, o nosso pais necessita de muito mais pessoas com esta garra e disposição.

    • Celeste Arrais disse:

      Olá Alba,

      Agradecemos sua participação.

      De fato, nosso país precisa de pessoas disposta a nunca desistir dos seus sonhos e a lutar por dias melhores.

      Cada um realizando sua parte da melhor forma possível, já é um bom começo, né verdade? Juntos podemos fazer a diferença.

      Um grande abraço!
      Celeste Arrais